sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Shimergo: Campagnolo com Shimano . Deixe um comentário Quem usa sistemas de 11 velocidades já percebeu que dá pra usar uma bicicleta com trocadores e câmbios Campagnolo com rodas e cassetes Shimano. E outras velocidades, dá pra misturar?

 

Cannondale Caad8 8, com pedivela tripla original, câmbio traseiro LX, cassete 11-32 de 8v, trocadores Campagnolo Ergopower Veloce de 10v. Configuração para cicloturismo leve.

Usar Campagnolo, Shimano ou Sram nas suas bicicletas com guidão drop é uma questão de escolha pessoal e claro, de poder de compra.

Sram e Shimano partilham as mesmas medidas de corrente e cassete, são intercambiáveis. Trocadores não, a não ser umas misturas que dá pra fazer com trocadores e câmbios de mountain-bikes, que não vou abordar aqui.

Quando todo mundo passou a construir sistemas de 11 velocidades, descobriu-se que as diferenças de correntes e distanciamento nos pinhões dos cassetes eram tão mínimas que caíam na margem de tolerância.

Mas e nas outras quantidades de velocidades? 10 marchas, 9 marchas, 8 marchas?

Mais ainda, imagine que você está montando uma bicicleta com guidão drop que não é uma estradeira, mas uma bicicleta de cicloturismo e ou gravel/adventure, e seja por motivos de relevos percorridos ou simples forma física – meu caso, 50 anos, sobrepeso, fora de forma – você queira marchas mais leves?

Os trocadores Campagnolo são uma delícia de usar. Os STis da Shimano têm como característica ter duas alavancas, uma que desce as marchas e outra, que sobe as marchas, que também aciona os freios. Tenho bikes com STIs Dura Ace e Ultegra, e mesmo tendo prática, cansei de freiar ao invés de trocar marchas.

Já os trocadores Campagnolo têm três peças: a alavanca de freio só freia, a alavanca só sobe as marchas, a orelhinha só desce. Há STIs com orelhinha, mais antigos, mas é uma orelhinha pequena que não dá pra acionar quando estamos com a mão na parte mais baixa do guidão drop. A orelhinha do Ergopower Campagnolo é acionada com a mão em cima das manetes ou pegando embaixo do guidão. E a troca é precisa e podemos trocar mais de uma marcha por vez.

De outro ponto de vista, os trocadores esquerdos da Campagnolo não são exatamente indexados como são os STIs da Shimano. Assim, trocadores esquerdos da Shimano, STIs, só funcionam com câmbios dianteiros de estrada. Ergos, por sua vez, funcionam virtualmente com qualquer câmbio dianteiro, duplo ou triplo, de estrada ou de MTB.

Outro detalhe: STIs quando quebram precisam ser substituídos. Ergos podem ser desmontados e ter as peças trocadas – basta otê-las pela internet.

Então imagine que você quer montar uma bicicleta com guidão drop, mas quer que ela tenha uma relação mais próxima das MTBs. Ou seja, você quer pelo menos o câmbio traseiro que suporte tanto cassetes com pinhão maior de 34 dentes ou mais, e eventualmente você quer usar uma pedivela tripla, ou até uma pedivela dupla mas com coroas pequenas. Isso pois você está montando uma bicicleta de cicloturismo ou então vai usar sua gravel em locais com muitas subidas cascudas.

Às vezes, por incrível que pareça, é mais fácil montar essa combinação misturando Shimano com Campagnolo do que usando peças apenas de um fabricante. Principalmente se você não está usando 11 velocidades, cujos cassetes e correntes duram bem menos que os sitemas de 9 ou sobretudo de 8 velocidades. Sim, pode ser que você queira, por uma questão de durabilidade, preço e facilidade de encontrar peças, montar uma combinação com 8 marchas atrás, cujas correntes são duráveis e baratas, e que você não terá problemas de achar peças numa viagem.

Claro que você pode Usar STIs triplos Shimano Claris. Mas só com pedivelas triplas grandes. Pode trocar o câmbio traseiro e usar cassetes de MTB. Mas e se sua bicicleta é uma touring cuja pedivela é 44-32-22?

Aí é hora de misturar as peças e montar um sistema Shimergo.

Shimargo é o nome que damos às configurações montando relações com peças Shimano – cassetes, correntes e sobretudo câmbios – com os trocadores Ergopower da Campagnolo.

Pra entender como se faz isso para sistemas de 7/8 e 9 velocidades, precisamos enteder algumas coisas.

Trocadores Shimano de 8 velocidades e trocadores Campagnolo de 10 velocidades puxam exatamente 2,8mm de cabo.

Trocadores Shimano de 9 velocidades puxam 2,5mm de cabo e trocadores Campagnolo de 11 velocidades puxam 2,6mm de cabo, diferença de 0,1mm que não influencia na troca de marchas.

Então, vale dizer: Ergos de 10 velocidades funcionam muito bem trocando marchas em cassetes Shimano/Sram de 8 velocidades. E Ergos de 11 velocidades funcionam bem trocando marchas em cassetes Shimano/Sram de 9 velocidades.

Isso se você montar o sistema colocando o cabo do câmbio traseiro na posição mais comum.

Mas, pasme! Há mais duas posições para colocar o cabo de câmbio traseiro num câmbio traseiro Shimano de MTB até 9v e de estrada até 10v.

Uma dessas posições alternativas é de fábrica, e existe para que o usuário da linha Dura Ace de 8 velocidades – que tinha outra taxa de puxada de cabo diferente do resto da linha Shimano – tivesse sempre a possibilidade de usar outros câmbios em substituição a um original quebrado.

Abaixo, uma imagem que tirei do site do Sheldon Brown, mostrando as duas posições de fábrica para se colocar um cabo no câmbio traseiro Shimano:

https://www.sheldonbrown.com/images/dura-ace-cable-anchor.gif

Abaixo uma foto que tirei do site do Sheldon Brown mostrando como passa o cabo na posição B, conhecida como “Old Dura Ace”, num câmbio Shimano:

https://www.sheldonbrown.com/images/cablerouting-alt.jpg

Abaixo, uma foto do mesmo câmbio com o cabo na posição tradicional:

https://www.sheldonbrown.com/images/cablerouting-std.jpg

Aqui você pode ler o artigo do Sheldon Brown sobre a compatibilidade dos trocadores Dura Ace antigos com câmbios mais recentes. Clique aqui.

E a bicicleta Hubbub descobriu uma terceira posição para colocar o cabo de câmbio, também alterando a puxada de cabo:

https://artispin.files.wordpress.com/2017/05/xtergo.jpg

Consegue enxergar a diferença? Passa-se o cabo “por fora”. É preciso mudar a posição da plaquinha que prende o cabo no câmbio.

Leia aqui em inglês um artigo da Hubbub sobre essa modificação.

Então, pra entender a tabela de compatibilidades entre trocadores, câmbios e cassetes da tabela abaixo, entenda que há 3 posições para colocar o cabo de câmbio num câmbio Shimano que não seja Dyna-Sys/Shadow: a tradicional, a Old Dura Ace e a Hubbub.

Agora uma tabelinha feita já há algum tempo, (leia aqui o texto original em inglês) com compatibilidades de trocadores Shimano STIs ou alavancas de quadro de até 10 velocidades e Ergos Campagnolo de até 11 velocidades, com essas três posições para colocar o cabo no câmbio traseiro Shimano:

https://www.cyclinguk.org/sites/default/files/styles/colorbox_gallery/public/media/%5Bfile%3Amime%5D/shimanomechs.jpg?itok=g0Z9xZ9E

Nas combinações marcadas em verde e amarelo, funciona perfeitamente. Nas marcações em rosa, funciona mas não se usa todo o cassete.

Então note que um trocador Shimano de 9v pode trocar marchas em cassete de 8v se o cabo for colocado na posição Old Dura Ace. O mesmo ocorre com STIs de 10v trocando, com o cabo na mesma posição Old Dura Ace, marchas num cassete de 9v.

Da mesma forma, um trocador Campagnolo de 10v troca perfeitamente 8 marchas num câmbio com o cabo na posição tradicional e 9 marchas na posição Hubbub. Isso usando cassetes do padrão Shimano.

E um trocador Campagnolo de 11v troca 9v na posição normal do cabo, 7/8v na posição Old Dura Ace, e 10 marchas na posição Hubbub.

Eu montei uma bicicleta com Shimergo. É uma Caad8 8 com pedivela tripla original, e 8v de fábrica. Usei Ergos de 10v, com o cabo do câmbio traseiro passando da forma tradicional. O câmbio dianteiro tem as marchas trocadas facilmente, uma vez que o Ergo esquerdo é micro-index, e tem como eliminar barulhinhos incômodos quando esotu com a corrente cruzada com um toquezinho.

E atrás o Ergo direito troca marchas no cassete Shimano de 8v com precisão. Não ficam 2 toques extras sobrando pois a regulagem do câmbio limita a ação do trocador.

Fiz um video mostrando, desculpem o vídeo tosco com o celular na vertical.

Testei pedalando pelas subidas e descidas de Curitiba, trocando marchas, usando todas. Funciona que é uma beleza.

A instalação foi feita em Curitiba, na Bicicletaria Cultural. Hoje lá estão com as tabelinhas de compatibilidade e sabem fazer as passagens alternativas de cabo nos câmbios Shimano.

Minha bicicleta está funcionando como um reloginho suíço. Vou usar pra viagens, como bicicleta leve de cicloturismo.

E usarei essa mistura em outras bicicletas. Gostei, vale à pena.

fonte:https://asbicicletas.wordpress.com/

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