FONTE:Historias de Ciclismo ·
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POGAČAR ARRASA ROMANDIA 2026--
( Quanto custou fazer essa corrida correr para Tadej? )
Tadej Poga čar levou a 79a edição da Turnê de Romandia com uma contundência absoluta: venceu 4 das 5 etapas disputadas (a 1, a 2, a 4 e a 5). A única jornada que não ganhou foi um sprint massivo, terreno onde um alpinista-classicómano não deveria nem espreitar o nariz, e ainda assim escapou por pouco: o francês Dorian Godon (Ineos) capitalizou a jornada dos velocistas.
O esloveno do UAE Team Emirates entrou na Romandia com um objetivo colecionador: completar a "volta WorldTour" do seu palmares. Faltavam-lhe Romandia e a volta à Suíça. Riscou a primeira. Vai para a segunda.
A imprensa local já batizou o fenômeno como "Pogimania". O diretor da corrida, Richard Chassot, falou de um público "nunca visto" na beira das rotas helvéticas. E aí, nessa frase aparentemente inocente, começa a parte interessante desta história: a economia.
Fora isso, cabe entender a economia base da corrida, porque está cheia de curiosidades.
O orçamento desta concorrência é de cerca de 5 milhões de francos suíços ( ≈ 5,1 milhões de euros). É muito dinheiro, mas está longe dos 150 milhões de euros que move a Volta à França.
Romandia é, em termos económicos, uma carreira "boutique" do WorldTour: pequena, elegante, financeiramente no limite.
A edição de 2026 saiu na estrada com um buraco de 400.000 francos pela perda de um patrocinador principal. O maillot amarelo do líder, esse mesmo que usou Poga čar, saiu sem logotipo nas costas.
Para referência, recorde-se que o patrocinador do maillot amarelo do Tour de França (LCL) paga cerca de 10 milhões de euros por temporada. Romandia deixou o espaço vago porque não encontrou comprador a tempo.
Uma semana de corrida envolve 6.000 noites de hotel para equipes, organização e convidados, e a mobilização de 400 voluntários.
Cada etapa requer coordenação com cantões (que na Suíça têm autonomia quase de país pequeno), polícia, serviços médicos, helicópteros para TV e comissários UCI.
O uso intensivo de "circuitos em loop" (a corrida passa várias vezes pela mesma área) é uma das maneiras de economizar custos. Os puristas ficam irritados. Os contabilistas são salva. Cortar o tráfego uma vez em um circuito de 20 km que se repete quatro vezes é exponencialmente mais barato e seguro do que cortar 200 km lineares.
O fato que descoloca quem vem de futebol, tênis ou NBA: Organizadores não pagam cachet às estrelas.
Chassot explicou tal questão: "As estrelas do pelotão não recebem dietas de saída. Não temos dinheiro para isso."
Poga čar foi porque serviu a sua carreira pessoal e porque o diretor da UAE (Mauro Gianetti) foi colega de equipe de Chassot. Ou seja, a estrela mais cara do ciclismo mundial correu Romandia de graça, por agenda e por amizade.
Poga čar embolsou 13.000 euros por ganhar a general. Treze mil. A conta do hotel da equipe durante a semana foi provavelmente maior.
O elenco desce em escada dura: 6.500 no segundo, 3.300 no terceiro, 330 para quem terminar entre 10 e 20.
No ciclismo profissional, o prêmio em dinheiro é quase simbólico: o grosso da renda do corredor sai do salário fixo da equipe e dos contratos publicitários. O prêmio é dividido entre o corredor, os companheiros (gregarios) e o pessoal técnico, segundo regras internas.
A esta hora se jogar um grande torneio de golfe daqueles que são televisionados nos EUA ou na Europa, não é raro quem ganhar leva 2 ou 3 milhões de dólares em prémios, menos impostos, por andar com pontaria 4 dias.
Isso para o caso de estar indeciso sobre se fazer ciclista profissional ou golfista.
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